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Charo Lopes

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SEM TÍTULO

Queria escrever um poema bonito e doloroso como uma vénus abortando

Queria que pensaras na serenidade de Mandela quando digo prisão

que brilharam como esmeraldas a bijuteria das reclusas ou das carcereiras

e ao final de cada verso sorriras com iodo

Que isto passe se entendemos a vida assim

como algo tão lindo como a morte ou mais.

Este trânsito no que as comparações são espadas finíssimas e a justiça é cousa do além.

E se crês em deus, desfrutarias de ver que amor tão puro nasce das putas e as freiras em prisão aí não há

competitividade nem juízo só duas mulheres a amarem-se como guerreiras

Mas voltemos ao poema

pensa nas árvores autóctones no coral

nas ondas do mar dos desenhos orientais no cheiro

delicado da flor da laranjeira com isso também sonham os presos

com beijos com pão de broa com carícias com vises

que não chegam com citalopram e meta com chutas definitivas

de heroína sem adulterar.

Alguns -os mais vivos- também sonham com vingança

mas não me vou estender com isso quero voltar ao amor.

Que não digam que este texto saiu do comité central da COPEL.

 Charo Lopes, nada en Boiro en 1988, é unha activista e escritora galega. Licenciada en Xornalismo pola Universidade de Santiago de Compostela e con estudos de fotografía na Escola de Artes Antonio Failde, onde formou parte da creación da revista caleidoscopica.gal.[1] Dedícase á fotografía. Militou en AMI. Na actualidade traballa como xornalista freelance, alén de coordenar o Portal Galego da Lingua e a imaxe no xornal Novas da Galiza. Gañadora do XXXV Premio de Poesía Cidade de Ourense